Vale a pena conhecer. Cocais (não confundir com Barão de Cocais) é um verdadeiro paraíso cultural e ecológico.   Os belos coqueiros, que se destacam em meio a um cenário exuberantemente verde, deram o nome à localidade.   Além disso, as igrejas barrocas e o casario colonial são uma atração à parte.   Para muitos, Cocais é uma pequena Ouro Preto.   A vila colonial de Cocai foi fundada no dia 26 de julho de 1703 pelos bandeirantes Antônio e João Furtado Leite , irmãos portugueses que erigiram uma tosca capela sob a invocação de Santana. Em 1769 era construída uma igreja definitiva, a atual, que possui talha dourada no estilo oriental. Em 1835, quando o Barão de Cocais foi governador de Minas Gerais (presidente da província) realizou melhoramentos na vila de Cocais, como urbanização e calçamento, além da reforma da capela de Santana, como pintura, ampliação e douramento dos altares.   Em 1855, por iniciativa do alferes Antônio da Silva Sampaio, foi inaugurada a matriz do Rosário.   Ambas igrejas são tombadas pelo IPHAN. Conheça, agora, os principais atrativos de Cocais, uma jóia da natureza e dos homens.

O turista, antes de chegar à cidade de Barão de Cocais, deve visitar a ex-aristocrática Vila Colonial de Cocais, um lugar cheio de mistérios com ruas, becos e ladeiras lembrando o passado colonial, envolto em seus casarões e igrejas.

Cocais se destaca, graciosa, num outeiro com sua igreja de Santana, outrora cercada de coqueirais (cocais)- daí a origem do nome do lugar. Logo na chegada ao centro histórico da vila, a primeira visita importante é ao Santuário de Santana, onde está a primeira igreja de traços aristocráticos, construída para abrigar os ancestrais do Barão de Cocais e sua própria e numerosa família tradicional de Minas, os Pinto Coelho da Cunha. A igreja foi construída em 1769 e é totalmente em pedra. Seu interior grandioso possui pinturas orientais no púlpito e diversas imagens talhadas em madeira, sobressaindo-se a de Santana, no altar-mor folheado em ouro. No Largo de Santana está o Solar da Ladeira, onde hospedaram-se o duque vieram ao encontro do Tenente - Coronel José Feliciano Pinto Coelho da Cunha-o futuro Barão de Cocais ao término da Revolução Liberal de 1842. Certamente Caxias não o encontrou, pois o Tenente -Coronel estava escondido numa das grutas da Serra da Conceição, temeroso da prisão pela derrota do movimento revolucionário.

O Solar da família Pinto Coelho localizava -se defronte à igreja de Santana e interligava-se a ela através de um túnel, ainda existente. Hoje demolido, o casarão tinha dois pavimentos e nele o Barão passou os últimos dias de sua vida, após retornar da Corte (Rio de Janeiro), onde fora moço fidalgo da Casa Imperial. Após sua morte, o solar obrigou a família do Coronel Manoel Pereira dos Santos Penna, irmão do então futuro Presidente do Estado Afonso Pena. Conhecido por Neca Penna, seu corpo encontra-se sepultado no adro da igreja de Santana, no pequeno mausoléu da família.

Em 1855, o alferes Antônio da Silva Sampaio mandou construir a matriz de Nossa Senhora do Rosário, para que nela os escravos pudessem assistir às missas, impedidos que eram de freqüentar a igreja de Santana. Anos depois ela foi ampliada por iniciativa do Monsenhor João Raimundo de Oliveira, ali sepultado, e se tornou a igreja principal da vila de Cocais, pois a de Santana era freqüentada pela elite da vila. Ali-se reuniam, de fato e além dos familiares do Barão de Cocais, o Conde de Oyenhausen - chefe de milícias de Cocais; o Visconde de Barbacena, proprietário das minas de Brucutu;

Cocais, já descaracterizada pelo calçamento de paralelepípedos- ainda conserva traços da época de esplendor do ouro, então explorado pela Companhia Brasileira de Mineração da Serra de Cocais, fundada pelo Barão em 1833 com o auxílio de capital inglês levantado por Oxenford. Os trabalhos tiveram início em 1834 e, segundo relatório de Henwood a empresa produziu, de 1833 a 1846, 557 libras de ouro que foram depositadas em bancos da Inglaterra, daí originando a pretensafortuna do Barão de Cocais.

A Fazenda da Cachoeira, onde nasceu José Feliciano Pinto Coelho da Cunha, está distante do centro histórico da vila, aproximadamente três quilômetros. E foi nesse ambiente histórico que Cocais recebeu visitantes ilustres, como Von Spix e Von Martius, Saint Hilaire, Richard Burton, John Emannuel Pohl e tantos outros. Com uma população descedente de nobres, existiam na vila mais de vinte pianos, que animavam os bailes nos antigos casarões. Talvez tenha sido esse o motivo que inspirou Fernand Jouteau a comprar a ópera "Os Sertões", famosa em todo o país.