Na Fazenda da Estalagem (foto) começou o povoamento da Vila Colonial de Cocais, que prosperou em torno dfa Capela de Santana, igreja privativa das nobres famílias Pinto Coelho e Furtado Leite, ambas de origem portuguesa. Assim, os bandeirantes Antônio Caetano Pinto Coelho da Cunha e Felício Muniz Pinto Coelho da Cunha, casados com as irmãs Furtado Leite, filhas de colonizadores de Cocais, transformaram a Vila em centro de reinóis e nobreza lusitana. Entre estas famílias, estava a do Coronel Antônio de Barros, proprietário da Fazenda da Estalagem, construída no início do século XVII.
Conta a história, que nas imediações da Fazenda da Estalagem, alguns escravos estavam batendo ouro no Córrego do Curtume, quando um deles resolveu cavar um dos inúmeros cupins situados a beira do rio. Casualmente, apareceram muitas pepitas de ouro. O acontecimento percorreu as Minas Gerais, trazendo levas de mineradores para Cocais, passando a arriar as suas tropas na futura Fazenda da Estalagem. Dali, também iniciou-se o traçado urbano da Vila de Cocais, como a rua principal rumo ao alto do Largo de Santana.

A rua do Curtume, parte da Cachoeira, onde nasceu o Barão de Cocais, tenente-coronel do Exército Imperial, José Feliciano Pinto Coelho da Cunha.

O dono da Fazenda da Estalagem, Coronel Antônio de Barros, era um dos pioneiros da Vila de Cocais. Ele tinha seis filhas que foram acometidas de uma doença incurável e estavam morrendo uma por uma. O Cel. Barros, um dia resolveu fazer uma promessa ao Senhor do Bonfim. Se suas filhas fossem curadas, construiria uma capela sob a invocação do Senhor do Bonfim no alto do morro da Fazenda da Estalagem. Quando a última filha que restou, e sarou, Cel. Antônio de Barros cumpriu a promessa. Infelizmente, a capela foi demolida em 1973, para dar fugar a uma nova igreja de alvenaria. A antiga capela era de pau-a-pique e tinha a fachada idêntica a da igreja do Ó, de Sabará, e conservava no seu interior, a imagem de madeira de Nosso Senhor do Bonfim, trazida de Portugal. (Do jornalista e historiador Leonel Marques, presidente da Casa da Cultura de Barão de Cocais).
O Sobrado do Cartório (foto) é uma das últimas construções coloniais existentes na Vila de Cocais.

De dois pavimentos, é quase idêntico ao Sobrado do Barão de Cocais, que existia defronte á Igreja de Santana. Nos dois sobrados antigos, existiam pianos razão pela qual fez com que o maestro Fernand Jouteau, viesse para Cocais a fim de concluir a sua famosa ópera “Os Sertões”.

O modesto Sobrado do Cartório foi construído pelos bandeirantes Furtado Leite, gundadores de Cocais. E pertenceu a Fernando José do Espírito Santo, conhecido por “Fernando Toco”. O apelido foi por motivos dele praticar um esporte da época, chanfrar um tôco de uma árvire com perfeição.
Mas, conta a lenda, que Fernando Tôco, ao demolir um alicerce de uma fazenda antiga, encontrou um cocho de pedra sabão, cheio de moedas de ouro em pó. Ficou rico e passou a comprar muitas terras em volta de Cocais.

Porém, Fernando Tôco era um grande plantador de café, cuja colheita guardou durante 30 anos. O café subiu de preço e então, vendeu a colheita em lombo de burro, na cidade de Sabará, gerando tamanha riqueza. Analfabeto-não sabia ler e nem escrever- mas tinha uma perspicácia para fazer negócio. Anotava, em formas de código na parede de sua casa, o negócio feito para quitar daqui um ano. Ele lembrava baseado em suas anotações.

Dividiu todo o seu patrimônio em vida entre os seus cinco filhos. Morreu aos 107 anos de idade no final de 1940, quando no seu velório a população de Cocais, passou a conhecer o automóvel, que eram vários durante o seu sepultamento.

O antigo Cruzeiro do Largo do Rosário foi construído e conservado por Fernando Tôco, que doou um imóvel nas cabeceiras de sua Fazenda do Engenho, para a estrada não passar no terreno de sua propriedade. Fernando Tôco, que conheceu o Barão de Cocais, foi também uma figura lendária. No seu Sobrado do Cartório, era constatemente transformado em “casa de danças e diversões”e até mesmo para encontros políticos.

Hoje, o sobrado pertence à família Prandini, que ali possui um cartório de registro, onde se encontra assinaturas do Barão de Cocais, Visconde de Barbacena e, até mesmo, de Fernando Tôco. No ano de 1986, o cantor e compositor Milton Nascimento almoçou neste sobrado com a família Prandini e autoridades cocaienses. Na ocasião, Milton apresentou-se ao público de Barão de Cocais que lotou o setádio do Metalusina.

(Do jornalista-historiador Leonel Marques)