"O vinho é resultado da fermentação do mosto de uva frescas e que qualquer outra bebida fermentada não obtida desta fruta não pode ser denominada vinho pelo menos oficialmente."

De acordo com a explicação da Organização Internacional do Vinho -(Off Internacionale de la Vigneet du Vin) - com sede na França - só é possível chamar de vinho a bebia resultante da fermentação da uva.

Como, se o processo empregado com outras frutas a receita e a maneira é a mesma. Não sou especialista em vinho; apenas um consumidor moderado, em prol de obter uma boa saúde, já que suas propriedades, também, são medicinais. E, defensor da diversidade do vinho, pois fabricamos vinho de jabuticaba e licores de diversos sabores. Portanto, taí meu interesse! Como cidadão, comum, pleno de direitos e deveres e, como diz o ditado de médico, louco e palpiteiro todos nós temos um pouco, deixo meu parecer aqui sobre a radicalização da entidade internacional do vinho. Acho uma atitude bairista e preconceituosa!!! Nem todo lugar se dá uva, e cada um tem o direito de usar a fruta que possuir, fazendo uso das técnicas tais como são empregadas no vinho, que também diga de passagem é de domínio público, como diz as regras do folclore: perdeu-se no tempo a autoria, a região e a data do fabrico do vinho. Portanto, mais uma vez lembro é de domínio do povo.

Mesmo usando a uva, a cada região ela é de cor e sabores, tamanhos e tipos diferenciados. Seu liquido são os mais diversos sabores, dando vinho também, diferenciado. Vejamos o caso da uva produzida no sul do Brasil e a do Vale do Rio São Francisco - em Juazeiro/Bahia e Pedrolina/Pernambuco.


Fermentação de jabuticabas

Fermentação de jabuticabas

 

Ao lado fotos da adega da Pousada das Cores, onde é armazenado vinho, licores e cachaça. Tonel mais escuro de carvalho para curtir a pinga

São completamente diferentes, uma de clima frio, montanha e outra de serrado clima quente. Pode o vinho ser o mesmo? Nem por isso deixa de ser vinho. Tudo depende do tempo e do espaço, dizia Einstein.

E olhe! o vinho do nordeste tem merecido aplausos de plantadores e consumidores estrangeiros. Tudo mudou! Sou de uma época que não tinha internet, celular a primeira vez que vi uma televisão ligada na casa da minha avó, achei que era milagre. Então! Então!! Vamos democratizar a vinocultura!!! Acredito que só haverá enriquecimento da cultura. Se é receio de tornar a bebida ruim, o mercado está aí para dizer se é bom ou ruim. Tem tanto vinho de uva péssimo, feito até de borra de vinho. Bom ou não o vinho nunca vai perder sua majestade de bebida sagrada. Apenas, terá aqueles que emplaca e os que passam... Assim, como tudo muda e evolui, quem sabe, não aparece uma outra fruta que com as mesma receita do vinho vai dar uma outra bebida, ou melhor, outro vinho até mais interessante dos que já existe! "Conta um conto que aumenta um ponto", diz o ditado, nem por isso ele perde a essência, assim pode acontecer com o vinho ele jamais vai deixar de ser vinho e ter seu valor histórico.

Pergunto as autoridades vinicolas, se não fosse a uva, naquela época, seria outra fruta e, ai... Será que o domínio é porque o V de vinho pertence a uva? Deixamos a raiz diversificar, pois sabemos que o vinho é originária da uva, mas poderia ser de outra fruta, talvez, de nome diferente.

Vejam nas fotos abaixo as comparações e semelhanças do fabrico de vinho de uva com o vinho de jabuticaba. As da jabuticabas foram colhidas na Pousada das Cores.
 

     

 

Fabricação do Vinho de Uva / Div.

Fabricação do Vinho de Uva / Div.

Plantação de uva em Portugal

Vinheiras em Portugal

Texto e Fotos :: Everton de Paula