As festas folclóricas são outro chamativo para os turistas. Em 26 de agosto de 2000, em Cocais, foi encenado o casamento do Lobisomem e da Mula-sem-cabeça, com direito a edital de proclamas, convite, televisão e uma grande festa. Foi uma promoção do Clube dos Criadores de Mula-sem-cabeça e Associação Nacional dos Criadores de Saci, entidades com objetivo de preservar o folclore brasileiro. Foi idealizada pelo jornalista e folclorista Everton de Paula, proprietário da Pousada das cores, onde aconteceu a festa.
Segundo o folclorista o Lobisomem teve origem na Grécia, quando o filho do Rei Pélago tentou matar Zeus, e por castigo foi transformado em um lobisomem. A história viajou o mundo e, no Brasil, o lobisomem pode ser o filho caçula ou primeiro filho de uma série de seis filhas, ou fruto de amores proibidos.

Para desencantar o lobisomem é preciso ferir o animal com um objeto de prata, fazer o sinal da cruz e chamá-lo pelo nome de batismo. Surra de rolo de fumo e água benta, também são eficazes. A mula-sem-cabeça, é conhecida como mula-do-padre, e representa um castigo sobrenatural reservado à mulher que for concubina de um padre. O nome pode ter origem no fato dos padres, no século XII, terem usas mulas como objeto de estimação.

Everton de Pula, que também é fundador do Movimento Ecológico Franciscano cocais e Caraça diz " que foi com orgulho que lançaram a campanha de valorização do que é genuinamente nosso, do que vivemos informalmente, da nossa história" Para ele, a festa representou a preservação da diversidade, do imaginário e do lúdico. E disparou: "Viva o folclore, viva a ciência do povo, viva a sabedoria popular!"

(texto retirado do site www.nossaterra.com.br)

Folclorista promove batizado de filhote de mula-sem-cabeça mineira com lobisomem paulista
(DARIO PALHARES)

Será uma cerimônia do outro mundo. Sacis-pererês, botos, mães d'água e outras criaturas do folclore brasileiro já confirmaram presença no batizado do filhote do lobisomem de Joanópolis (SP) com a mula-sem-cabeça de Vila de Cocais, distrito do município de Barão de Cocais (MG), que será realizado em 25 de agosto,. A iniciativa é do jornalista e folclorista minero Everton de Paula, 47 anos, fundador do Clube de Criadores de Mulas-sem-cabeça, que no ano passado promoveu a união dos pais do cruz-credo que vem por aí. O lobisomem casou forçado, pois "fez mal" á moça. Agora, renegará o filho, que depois de batizado se transformará no curupira, conta ele, que teve a idéia de criar a entidade há quatro anos, numa mesa de boteco.

Celebrado em agosto de 2000, o casamento sobrenatural chegou até o horário nobre, rendendo elevados índices de audiências á Rede Globo. Na época, o jornalista Maurício Kubrusly realizou uma grande reportagem sobre a festa que foi exibida no Fantástico, no final do ano. Por conta disso, a cerimônia ganhou ares de superprodução, com direito a 150 figurantes, em sua maioria alunos das escolas da região, e muitas cenas ao ar livre-inclusive no cemitério da Igreja de Nossa Senhora de Santana, do século XVIII, onde 15 lobisomens coadjuvantes levantaram de seus túmulos para se unir ao cortejo.

Convidei 300 pessoas para o casamento, mas apareceram 5mil. Neste ano, a idéia é fazer um evento menor, até porque a tevê não deverá estar presente", diz Everton, que pretende encenar a seqüência da história em sua Pousada das Cores.
O batizado será de mentirinha, mas o sacerdote não. Depois de abençoar a união do lobisomem e da mula-sem-cabeça, o padre Célio Maria Dell' Amore, diretor do Santuário do Caraça, na vizinha Catas Altas, dará o primeiro sacramento do filhote do casal. Sua participação na festa do ano passado, aliás, rendeu-lhe algumas críticas de católicos conservadores. Mais: como o religioso adoeceu pouco depois do casamento, houve quem dissessem que seus problemas de saúde eram resultado da ação das "forças negativas" com as quais andaram lidando. "Não tem nada a ver, claro. O povo ás vezes estranha, mas acaba entendendo.Tanto é que a garotada das escolas está engajada no projeto. Nosso único objetivo é ressuscitar o folclore nacional, cultura e as raízes do nosso povo, pois estamos muito americanizados", diz o padre, de 70 anos.
 
O grande ausente do evento será o pai da criança. Isso porque a Associação dos Criadores de lobisomens de Joanópolis, cidade localizada a 100 quilômetros da Capital, não poderá enviar representante e muito menos um espécime de seu rebanho para a Vila dos Cocais. "No ano passado, estava de férias e pude prestigiar a comemoração do Everton. Desta vez, contudo, não vai dar", lamenta Valter Luiz Cassalho, de 33 anos, presidente da entidade, criada em 1998.
 
Sendo assim o fundador do Clube dos Criadores de Mula-sem-cabeça vai apelar para um lobisomem da região, subespécie que tem hábitos gastronômicos bem específico. "Eles adoram goiaba. Quando o vento sacode as folhas de uma goiabeira á noite, o pessoal mais supersticioso diz que o bichão está jantando", conta Everton, que já planeja uma seqüência de seu épico folclórico para a próxima temporada. "A idéia é promover a separação judicial da mula e casa-la com outro personagem. Talvez com o Jeca Tatu ou outra criação de Monteiro Lobato.

Fonte: Revista JÁ (São Paulo) - Edição de 22/07/2001