Não entendo por quê a pitanga é tão pouco divulgada, por conseqüência, ainda, menos consumida. É uma fruta de fácil cultivo, basta arar e gradear o terreno para formar um pomar.

A adubação pode-se fazer com estrume de animal, composto com adubo verde. A multiplicação da pitangueira, segue o mesmo exemplo da jabuticaba: semente, estaquia, etc. Sua produção, geralmente, começa dos três para quatro anos. O período mais adequado para o plantio é na primavera, até o começo do período chuvoso. As covas devem ser feitas com antecedência, com profundidade e largura de 50 a 60 centímetros. Cada cova deve receber um preparo de adubos, assim:
Estrume de curral 20 a 30l
Nitrocálcio ou fosfato de amônio 100 a 150g
Farinha de ossos 250 a 300g
Superfosfato 300 a 400g
Cloreto ou sulfato de potássio 150 a 200g

O espaço da muda deve ser em torno de 5 a 6 metros, entre os pés. A pitangueira é uma planta bastante rústica, exige pouco cuidado, seu crescimento pode ser domado e até formar um arbusto - hoje é comum ver pé de pitanga produzido em vasos nos apartamentos, em especial quintais de coberturas, onde bate sol.

O solo pode ser variado: leve, arenoso, sílico-argiloso, ou vice-versa. Encontrada em todo o Brasil, a pitangueira é mais saliente nas regiões de clima quentes e úmidos. No norte e nordeste é mais difundida, tem alguma resistência à seca. Os estados com mais plantações que tenho visto e ouvido falar é na Bahia, Ceará, Recife e Paraíba.

Exportadas, as mudas da pitanga já se fazem presentes, devido à sua fácil adaptação, na América Central, nos Estados Unidos e até na Bacia do Mediterrâneo. Na China Meridional, na Argélia, Tunísia, Sul da França.

Não há um estudo que mostra uma variedade sobre esta planta, o que se tem observado, e eu mesmo com uma pequena plantação noto diferenciação entre os pés: um com frutas ou sementes maiores, a coloração também muda muito: amarelo, vermelho e vermelho-rubro, aliás, por causa desta última coloração é que os índios guaranis (língua Tupi) a chamaram de "Pitanga".

Me contaram que na Califórnia/EUA, é muito comum as mansões plantarem mudas de pitanga, fazendo-as de cerca-viva. E também para chamarem e alimentarem os pássaros. No meu pomar os pássaros, principalmente sabiás e sanhaços de diversas cores fazem a festa. É uma fruta que tem em torno de 70% de semente, polpa e 30% de semente. É agridoce e doce.

Durante o desenvolvimento da fruta a pitangueira necessita de bastante água, caso contrário a carne de sua polpa fica minguada, dura, azeda e esverdeada, com aspecto de fruta doente.  Por ser uma árvore esgalhada, não se faz necessária a poda, como na jabuticaba. Apenas deve ser feita a limpeza, retirando os galhos secos e os pequenos galhos que porventura surgem no seu caule central, próximo da terra.
Feito isso, o pé se sente fortalecido e se esgalha com liberdade.

Quanto a colheita é prática! Colhe-se a fruta madura sem espancá-la, já que é uma fruta sensível. Depois de colhida, deve-se consumi-la logo, ou fazer uso tais como: vinhos, licores, pinga, geléias, rocamboles, sorvetes, sucos, bolos, molhos, doces, etc.
A safra ocorre duas vezes por ano: outubro e dezembro/janeiro. Costumam dar uma pingada fora desses meses.
Há pessoas que a chamam de "fruta generosa" além de sua utilidade, sabor e alimentar os pássaros, é medicinal: rica em vitamina A, C e as do complexo B, além de cálcio, ferro e fósforo.

Cada 100 gramas, contém 38 calorias. O consumo da pitanga auxilia no combate contra o reumatismo, gota, febre, muito adstringente. Me contaram uma lenda que em certos lugares as moças que perdiam a virgindade tomavam banho de acento, ou no vapor, e então sua virgindade era restaurada.
Verdade ou mentira? Não sei! Não estava lá.

Referências bibliográficas
Revistas:
Revista Globo Rural, Manchete Rural, Agropecuária Estado de Minas, Natureza Frutífera / /  Livros: Fruticultura Brasileira - Pimentel Gomes. Emater/MG