Está na história local: o primeiro homem a habitar o lugar, na segunda metade do século XVIII, foi o português João da Motta Ribeiro, fundador da imponente Fazenda do Rio São João, vindo de Freguesia do Braga. Uma imagem do Senhor Bom Jesus, trazida de Amparo (Portugal) por João da Motta Ribeiro, originou o nome da cidade. A obra representa Cristo aos 12 anos e está na Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus. Na zona Metalúrgica, cercado pelas montanhas da Serra do Espinhaço, Bom Jesus faz divisa com Nova União, Caeté, São Gonçalo do Rio Abaixo, Itabira e Barão de Cocais. No centro, um ambiente calmo: a igreja, em que andorinhas fazem ninhos, algazarra e cocô, para intranqüilidade da zeladora.
A cidade de Bom Jesus do Amparo está a cerca de 20 km de Cocais por asfalto e, a 15 km por terra. Em Cocais dizem que há um pé de coqueiro para cada habitante. Em Bom Jesus do Amparo, relativamente pode-se chamar a capital das fazendas do período colonial. Viajando na fantasia, será que podemos dizer: Há uma fazenda para cada família?
 

Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a imponente fazenda do Rio São João, construída no fim do século XVIII, é importante peça da história mineira. Abandonada por anos, foi roubada e depredada - muito danificada ficou a capela cuja pintura de forro é atribuída a Mestre Ataíde. Teve tecelagem, fundição de ferro e plantações de algodão e café. Fabricou óleo de mamona, para iluminação pública de Ouro Preto e Mariana, e produziu outras riquezas agrícolas. Hospedou o imperador Pedro I e foi residência do primeiro presidente da província de MG, José Teixeira da Fonseca Vasconcelos, o Visconde de Caeté. Boa notícia: a fazenda será restaurada pelos novos proprietários, Rodrigo de Paula e Joana Mendes de Paula, para uso familiar. A cerca de 4 km do centro.

Nela ficavam escravas solteiras que pertenciam ao dono da Fazenda do Rio São João, contou o atual dono da Fazenda Cavalhadas, Antônio Ayres. No dia de São João, 24 de junho, o senhor patrão fazia festa e escolhia os pares para casamento. Após a união, a escrava ia servir na São João. O nome vem das cavalhadas promovidas na fazenda. Passado e presente se associam para oferecer conforto: tem piscina e sauna. A cerca de 15km do centro.

Um dos principais eventos de Bom Jesus é a Festa de São João, em junho, na Ponte dos Machados (num campo no km 4,5 da MG 434). Promovida há meio século, tem atrações diversas: shows musicais e pirotécnicos, grande fogueira, quadrilhas, comida e bebida de barraquinha (pastéis, quentão, caldos e outros) e um espetáculo curioso: à meia-noite, homens e mulheres de fé pisam descalço nas brasas da fogueira - é bem ligeiro, para não sapecar. Para a mulher, há muito homem; para o homem, há muita mulher; então, é só tomar cuidado com os comprometidos e não arrumar confusão. Outra festa boa é a do padroeiro, dia 6 de agosto, na cidade, também com bebidas e comidas de barraquinhas e shows.

Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta. Arcebispo de Mariana, Belo Horizonte, São Luís (MA), da cidade de São Paulo e de Aparecida do Norte, de cuja basílica foi um dos idealizadores. Nascimento: 16 de julho de 1890. Morte: 18  de setembro de 1982.
Violonista, compositor e professor. Autor de hinos, choros e valsas. Algumas composições da extensa obra: "Hino de Cocais", "Gotas de Lágrimas", "Alma de Artista", "Marcha Odeon", "Mariuns", choro onomatopéico, "Evocação" e "Serra do Caraça". Nascimento: 16 de dezembro de 1901. Morte: 8 de janeiro de 1986.
Repórter, bibliófilo e fotógrafo. Retratou sociedade e paisagem itabiranas nos séculos XIX e XX. "Sutil latinista, fotógrafo amador, repórter certeiro, preservador da vida em movimento" escreveu sobre Brás o poeta Carlos Drummond de Andrade. Nascimento: 19 de julho de 1866. Morte: 12 de janeiro de 1937.