As cidades históricas de Minas, guardiãs do precioso legado histórico e artístico do período colonial, começaram a dirigir suas ações para uma nova e promissora atividade econômica: o turismo cultural. A decadência do ciclo do ouro, a partir de 1760, e o conseqüente abandono das localidades mineradoras, garantiu a preservação de grande parte do acervo artístico e arquitetônico do período colonial. Quase duzentos anos depois, este patrimônio ganha novo conceito e identidade.
Numa nova alquimia, o ciclo do ouro, marcadamente extrativista, transforma-se em nova forma de geração de riquezas. Numa concepção construtiva, o Circuito do Ouro, um programa turístico desenvolvido pela Secretaria de Estado do Turismo de Minas Gerais, se propõe a difundir cultura, preservar o ambiente natural e gerar renda para os municípios mineiros.

Compõem este percurso os municípios de Sabará, Santa Luzia, Barão de Cocais, Vila Colonial de Cocais, Santa Bárbara, Bom Jesus do Amparo, São Gonçalo do Rio Abaixo, Itabira, Catas Altas, Ouro Preto, Mariana, Ouro Branco, Congonhas, Itabirito, Rio Acima, Nova Lima, Caeté e Raposos, além do Parque Nacional do Caraça e do Parque Estadual do Itacolomi.

Vários dos municípios do Circuito do Ouro guardam importantes registros artísticos e arquitetônicos do período colonial brasileiro, muitos deles executados pelos dois grandes artistas da época: Aleijadinho e mestre Athayde.
Na época do ciclo do ouro, Belo Horizonte não tinha uma função produtiva, mas sim de apoio à mineração. Pertencente a Sabará, era um curral, uma região onde o gado que vinha da Bahia e de Pernambuco ficava para engorda e abastecimento de localidades próximas, incluindo Ouro Preto. Todo o seu entorno era minerado, embora em alguns lugares o ouro se manifestasse com mais abundância e em outros, menos. Do século XVIII ao século XX, o antigo Curral Del Rei, que no ciclo do ouro era um local de passagem, ganhou um novo sentido. Com a transferência da capital mineira, em 1897, Belo Horizonte tornava-se símbolo republicano, rompendo, definitivamente, com o universo colonial e tornando realidade as ambições políticas da Inconfidência Mineira.

Belo Horizonte ainda conserva uma sede de fazenda, típica da região e do século XVIII, hoje o Museu Abílio Barreto. Simbolizando o novo e a ruptura, a cidade abriu-se a experimentações, incorporações de estilos e de expressão dos novos valores da modernidade, como o Conjunto Arquitetônico da Pampulha.

Com o crescimento rápido e espontâneo da capital mineira, foi configurada a integração de BH com municípios que integram a rede metropolitana, é o ponto de partida, e também de confluência, do Circuito do Ouro.
Sabará, Santa Luzia, Caeté, Barão de Cocais, Santa Bárbara e Catas Altas surgiram a partir do ano de 1 700. As cidades guardam monumentos preciosos que remetem a uma grandiosa história.
A Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará foi criada em 1711 pelo governador e Capitão General Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, época em que a mineração do ouro já era intensa. Mas o primeiro desbravador a chegar ao sertão de Sabará, no longínquo ano de 1555, foi o Capitão Mathias Cardoso de Albuquerque. Os primeiros aventureiros chegaram na região em 1674 e o bandeirante paulista Manuel de Borba Gato foi um dos primeiros a descobrir o resplandecente metal dourado às margens do Rio das Velhas.
Em Sabará encontra-se a igreja de Nossa Senhora do Carmo (1773), com obras de Aleijadinho, já na fase de declínio da mineração do ouro. Sua talha tem caracteristícas da terceira fase do Barroco e Rococó.

Na cidade pode-se ver a beleza da igreja de Nossa Senhora do Ó, um marco dentre as mais importantes construções religiosas do país. A fachada tem detalhes orientais e seu interior é absolutamente exuberante. Há uma explosão de azul e dourado em talha representativa da primeira fase do Barroco mineiro, de forte influência européia. Também representa esta fase a talha do altar-mor, em policromia com colunas salomônicas. Existem ainda painéis pintados a ouro com motivos chineses e personagens representados por olhos amendoados e orientais.

Imperdível em Sabará é o conjunto arquitetônico da Rua Dom Pedro II com seus sobrados e casarões do século XVIII. Outra atração é o Museu do Ouro(1731), antiga Casa da Intendência e Casa de Fundição.
  Os aventureiros paulistas descobriram uma cerrada “Caeté”, “mata virgem” na língua dos índios, em 1701. Sete anos depois a então Vila Nova da Rainha foi palco inicial da Guerra dos Emboabas, acontecimento que contribuiu para a criação da capitania das Minas, desmembrada de São Paulo.Está em Caeté a primeira igreja de Minas construída em alvenaria, a Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso, que marca o início da terceira fase do Barroco.
A 16 Km da cidade fica a Serra da Piedade, cujo cume chega a 1746 metros. Além de possibilitar bela vista panorâmica lá está o observatório astronômico da UFMG e é onde se ergue o Santuário de Nossa Senhora da Piedade, construída por Antônio Bracarense no fim do século XVIII. Em seu interior está a imagem de Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas Gerais, trabalho atribuído a Aleijadinho. Outra bela obra do santuário é o Cruzeiro de Maria, São João e Cristo Crucificado, esculpida em ferro modular pelo romeno Vladi Poenaru.
Em meados de 1700, após grande enchente, pescadores encontraram uma imagem de Santa Luzia às margens do Rio das Velhas. Até hoje, romeiros dirigem-se ao local em busca de cura para os males da visão. Em 1842, Santa Luzia foi cenário da vitória do Duque de Caxias sobre os rebeldes comandados por Teófilo Otoni durante a Revolução Liberal. A principal relíquia desta batalha é o Muro de Pedras. Destacam-se como principais monumentos da cidade a matriz de Santa Luzia(cuja construção inicio-se em 1758) e seus altares entalhados e revestidos em ouro com pintura do teto atribuída a Ataíde. O Solar Teixeira da Costa serviu, em 1842, como quartel general para Otoni e depois para Caxias. Foi tombado e restaurado pelo IEPHA.
 
Em 4 de dezembro de 1704, dia dedicado a Santa Bárbara, o aventureiro Antônio da Silva Bueno chegou ás margens de um ribeirão que corria nas proximidades do maciço do Caraça e o batizou com o nome da santa. Logo, em função do ouro de aluvião, surge um arraial, pertencente a Mariana. Os primeiros templos construídos foram a Matriz de Santo Antônio do Ribeirão de Santa Bárbara, de 1713(a decoração do teto é de mestre Ataíde), a igreja de Santo Amaro(1727), a igreja de Nossa Senhora das Mercês(1784), e as Capelas do Rosário(1756) e do Bonfim(1784).

Com o desgotamento do ouro de aluvião, na Segunda metade do século XVIII, o o metal só voltou a ser explorado em 1861 com a fundação, pelos ingleses, de Santa Bárbara Mining Company. Em 1847 a então Vila de Santa Bárbara do mato Dentro vê nascer seu filho ilustre: o ex-presidente Afonso Pena.

 
Um pouco mais distante, a 95 km da capital mineira, está o município de Barão de Cocais, o “portal do Caraça”, fundado em 1704 pelo bandeirante português Manoel Bittencour da Câmara. Em Barão de Cocais- que ganhou este nome em homenagem a José Feliciano Pinto Coelho da Cunha, um dos comandantes da Revolução Liberal de Minas- encontra-se a igreja de São João Batista (1764), cujo risco é atribuído a Aleijadinho. Ele também escupio a imagem de São João Batista em pedra sabão e projetou a tarja do arco do cruzerio no interior da igreja. A matriz tem altares folheados a ouro e a pintura do teto é atribuída a mestre Athayde.
De muitas relevância histórica, ficam em Cocais as Ruínas do Gongo Soco, mina de ouro descoberta em 1745. Posteriormente, entre 1826 e 1856, a mina foi adquirida por ingleses originários da Cornuália que criam ali um florestamento povoado britânico-tropical com hospital, capela e cemitério particular.
  Mais 16 km adiante, chega-se a Catas Altas, um dos primeiros lugares em que se descobriu ouro, por volta de 1694. Catas Altas ostenta a igreja de Nossa Senhora da Conceição, considerada uma das mais magistrais obras barroca. Construída em madeira e taipa, possui elementos raros da arquitetura mineira. Seu altar-mor foi talhado em estilo D. João V, e os altares laterais são da primeira metade do século XVIII. Em razão de 99 anos de conturbada construção, pode-se verificar, em seu interior, as diversas fases dos trabalhos ornamentais e da própria construção.
Nas proximidades, o Santuário do Caraça - fundado em 1774 como simples capela pelo legendário religioso Irmão Lourenço- desvenda uma belíssima obra, a Santa Ceia, pintada pelo mestre Ataíde em 1828. Ele esteve no Caraça nos anos de 1807 e 1808, deixando sua arte registrada nos altares barroco. Em 1821 começa a funcionar o Colégio do Caraça e em 1883 inaugura-se a igreja neogótica, erguida no mesmo lugar em que estava o templo barroco do Irmão Lourenço. A igreja tem 12 altares laterais, cada um com a imagem de um santo. No altar-mor, está a imagem de Nossa Senhora Mãe dos Homens, vinda de Portugal em 1874. Outra atração é o incrível orgão com 700 tubos ou 700 notas musicais escupido em cedro vermelho, pinheiro e jacarandá.
 
Ouro Preto, Mariana e Itabirito desvelam a era áurea do Barroco mineiro. Alejadinho e mestre Ataíde são os maiores símbolos da arte legada pelo ouro.
Ouro Preto dispensa maiores considerações, dada a grandeza de seu legado artístico e arquitetônico. Patrimônio Universal da Humanidade, tem como marco inicial a igreja de Nossa Senhora de Coceição de Antônio Dias (1727), projeto de Manoel Francisco Lisboa.

Seu mais importante discípulo, que deixou grandes obras na cidade, foi seu filho, Antônio Francisco Liboa, o Alejadinho de Assis (1771), ele faz nascer, em Minas, o Rococó.
É considerada a obra-prima do genial escultor. A igreja de Nossa Senhora do Rosário tem em seu traçado circular o ponto alto da arquitetura barroca mineira. Já a igreja do Pilar é a mais rica de Minas. Os arredores de Ouro Preto, cercados por montanhas, revelam indescritíveis belezas naturais (campos ruspestres, nascentes e cachoeiras), além de história e cultura. Vale a pena conhecer as localidades de Antônio Pereira, Catete, Coelho, Amarantina, Miguel Burnier, Glaura, Chapada, Rodrigo Silva, Santo Antônio do Leite, Santo Antônio do Salto, São Bartolomeu, Santa Rita de Ouro Preto, Lavras Novas e Cachoeira do Campo.
  Mariana, a primeira vila de Minas no período colonial, é dotada de um conjunto arquitetônico de inegável importância, tombado como patrimônio histórico. Composto por edificações setecentista, possui bela produção artesanal e artística, além de manter viva a sal história em seus casarões e igrejas em seu estilo Barroco. A igreja da Sé ou Catedral Basílica de Nossa Senhora da Assunção foi trabalhada por artistas como José Pereira Arouca e Manoel Francisco Lisboa, pai de Alejadinho. Na igreja da Sé encontra-se o valioso e raro orgão Arp Shnitger, doado por D. João V em 1751. Existe um único instrumento similar, em Faro, Portugal.
As origens de Mariana remontam a 1696, quando bandeirantes paulistas descobriram ouro em abundância ás margens do Ribeirão do Carmo. Batizada em homenagem á esposa de D. João V, rainha Maria Ana d’Áustria, a cidade tem uma atração imperdível: a Mina da Passagem, a 5km do centro. É uma das raras minas de ouro brasileira aberta á visitação. Embarcando num “trolley” e percorrendo 315 metros de distancia chega-se a 120 metros de profundidade, onde se vê um deslumbrante lago natural. As galerias da Mina da Passagem têm 30km de extensão, ligando Mariana a Ouro Preto sob a terra.
Outrora passagem de bandeirantes no final do século XVIII, Itabirito (“pedra que risca vermelho”) possui um rico patrimônio histórico, representado principalmente pelas igrejas e capelas do período áureo do Barroco Mineiro. O templo mais antigo é a Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem, que tem no teto de sua nave principal uma preciosidade: a seqüência de nove quadros intitulada Ave Maria. Com a esgotamento do ouro, Itabirito centralizou a corrida pelo ferro gusa com o início da construção, em 1889, do primeiro alto forno do chamado Ciclo Moderno da Siderurgia do Brasil. Muito montanhosa, a cidade tem vários atrativos naturais, como belas cachoeiras. Destacam-se as cachoeiras D’Ajuda, Chicadona, Véu da Noiva, com 40 metros de queda, e Benvinda, com três fortes quedas formando piscinas naturais e duchas. Outra grande atração é o belo Pico do Itabirito (1585 metros), uma das mais interessantes formações rochosas do Brasil, tombado pelo Patrimônio Natural Estadual.
  Itabira surge do ouro e cresce do ferro; São Gonçalo do Rio Abaixo tem como símbolo uma obra de arte esculpida pelos escravos; e uma imagem de Cristo aos 12 anos marca a história de Bom Jesus do Amparo.
O ano de 1720 marcou o início da história de Itabira, terra do poeta Carlos Drumond de Andrade. Dois aventureiros, os irmãos Francisco e Salvador Faria de Albernaz, foram os primeiros a explorar as minas descobertas nos ribeirões que desciam do pico do Cauê (que em língua africana significa irmãos). A outra riqueza da cidade, o ferro, só veio a ser explorada em fins do século XVIII, pois estava agregada às minas auríferas das serras da Conceição, Itabira e Santana. Com a vinda da família real para o Brasil, a partir de 1808 foi liberada pela coroa a exploração das jazidas de ferro. Em 1942, com a fundação da Companhia Vale do Rio Doce, desencadeou-se de vez a exploração ferrífera.
O centro histórico de Itabira é formado de antigos casarões com arquitetura colonial mineira, representando significado patrimônio artístico e cultural. Destacam-se a primeira sede do Hospital Nossa Senhora das Dores (1859), hoje o Centro de Estudos Supletivos, e a Casa Paroquial Nossa Senhora do Rosário- o mais belo exemplar arquitetônico remanescente do século XIX. parceria entre a Cia. Vale do Rio Doce, a Prefeitura e a Cúria Diocesana permitiu sua restauração em 1998. Também merece destaque a Casa da Câmara, ocupada em 1883 para ser a sede do legistativo de Itabira, cujo acervo sintetiza a história itabirana. Dos tempos católicos, o destaque fica para a igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos(1775), onde a pintura do teto da capela-mor é em estilo Rococó. A Praça do Areão, construída pela Vale do Rio Doce, tem mais de 22 mil m2 e expõe a primeira locomotiva a percorrer os trilhos da Estrada de Ferro Vitória-Minas, transportando minério de ferro. Outra grande atração de Itabira é o Memorial Carlos Drumond de Andrade, situado em área de preservação ambiental na encosta leste do Pico do Amor. O Memorial é um projeto de Oscar Niemeyer e tem 360 m2 de área construída.
Rio Abaixo era um povoado que surgiu em 1720 aos pés da Serra do Catungui e às margens do Ribeirão Santa Bárbara. Em 1727 já existia a Capela de São Gonçalo, ainda com teto de sapé, erguida em homenagem a São Gonçalo do Amarante, santo de nacionalidade portuguesa. Os portugueses, inclusive, deram origem às famílias tradicionais da localidade. Por volta de 1745, a Matriz foi reconstruída e a pintura da nave é atribuída a Ataíde. Já o altar-mor é de Vieira Servas. O arraial não viveu épocas tão áureas como as outras cidades do ciclo do ouro. Entretanto, existem obras importantes como o Cruzeiro da Matriz, feito em peça única de braúna, obra executada pelos escravos em 1871. O Cruzeiro, de 17,5 metros de altura (o maior de Minas), foi esculpido em função das Santas Missões, evento religioso dirigido pelo legendário Frei Paulino, que se estendeu por oito dias.

A igreja do Rosário, erguida pelos negros no século XVIII, é rica em imagens sacras. Presume-se que exista uma pintura coberta no altar-mor, atualmente em fase de estudos. A Rua Direita de São Gonçalo tem importantes casarões do século XVIII, como o Centro Pastoral (Casa do Padre João) e a Casa de Odilon Torres.

Uma imagem do Senhor Bom Jesus, representando Cristo aos 12 anos, posteriomente doada à Igreja Matriz, deu origem ao nome Bom Jesus do Amparo. A imagem foi adquirida em Amparo (Portugal) pelo primeiro homem a habitar o lugar, o Coronel João da Motta Ribeiro. Procedente da localidade portuguesa de Freguesia do Braga, Motta Ribeiro estabeleceu-se na região por volta de 1775.

A 5 Km de onde é hoje a cidade, o Coronel fundou a Fazenda do Rio João, depois Fazenda do Rosário, tombada pelo IPHAN (instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).
 
  Os ingleses, explorando o ouro, acabaram por cunhar a história de Nova Lima. Os aluviões auríferos fizeram surgir Rio Acima e Raposos, que hoje guardam belezas naturais e vasta cultura popular.
 
  Fundada em 1690 pelo bandeirante Pedro de Morais Raposo, Raposos viveu cerca de 80 anos do ouro de aluvião. Do ano da fundação do povoado até 1760 foi construída a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, considerada por muitos a primeira Igreja matriz de Minas. O templo era de estilo Barroco e tinha obras de Aleijadinho, além de diversas peças eclesiásticas. Com a decadência do povoado e o sumiço de seus habitantes, a igreja ficou muito tempo abandonada. Muitas obras foram roubadas ou transferidas para outras cidades. Apenas em 1954 aconteceu uma reforma na Matriz de Raposos. Destacam-se o seu conjunto de talhas e a imaginária sem madeira, que ilustram diferentes fases da arte colonial mineira.
   
As Guardas de Moçambique, do Divino Espírito Santo, de São Benedito, de Congados de Nossa Senhora do Rosário, dos Marujos de Santa Efigênia, além das cavalhadas e da folia de Reis, são as mais belas manifestações da cultura popular de Raposos.
   
 
  1851 marca a emancipação de Nova Lima, anterior mente chamada de Vila Nova de Lima, em homenagem ao político Augusto de Lima. Mas sua história remonta ao final do século XVII, quando o paulista Domingos Rodrigues da exploração aurífera que existe a marcante presença da cultura britânica na cidade. Isso porque a Minas de Morro Velho foi comprada pela Saint John Del Rey Minning Company, em 1834.
  Nova Lima tem interessantes atrações turísticas. A começar pela Banqueta d´Água do Corego Grande, construída pelos ingleses para a lavagem do ouro na mina. As águas do Ribeirão dos Cristais chegavam á mina escorrendo pela banqueta de 4676 metros de comprimentos. O Teatro Municipal foi construído em 1943 e é uma das melhores casas de espetáculos de Minas Gerais. Foi construído pelos ingleses para o beneficiamento de minério. O conjunto de casas em estilo europeu chamado Quintas dos Ingleses passa o córrego Rego Grande, que tem as águas captadas por aqueduto com estruturas de madeira, conhecido como Bicame. A Matriz de Nossa Senhora do Pilar tem magníficos altares escupidos por Alejadinho no século XVIII. A primeira escola de reciclagem do Brasil, a escola Casa de Aristides, está instalada na casa de mesmo nome, de estilo arquitetônico inglês, totalmente recuperada em 1997. Ainda vale registrar a Igreja Anglicana, construída em 1830 em estilo normando. Todo o material usado foi importado da Inglaterra.
 

O arraial de Santo Antonio do Rio Acima data de 1736 e foi um importante centro de mineração do ouro. Em 1890, com a inauguração da Estrada de Ferro, o então distrito de Sabará passa por um período de significativo desenvolvimento. A partir de 1921, com a ligação rodoviária de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro, Rio Acima conhece o desenvolvimento de usinas siderústicas com aproveitamento de matéria-prima local.
Hoje o grande potencial de Rio Acima- um dos únicos municípios mineiros cuja área total integra uma Área de Preservação Ambiental, a APA SUL- é o turismo, em sua variedade ecoturismo. Sua belíssima cachoeiras(como as quedas Cocho D´Água, Viana, Gouveia, Chico Dona, Mingu e tangará) são bastante procuradas, principalmente por moradores de Belo Horizonte. No entnato, o grande desafio da cidade é ordenar esse fluxo turístico para proteger suas belezas naturais.
   
 
  A Basílica do Senhor Bom Jesus do Matosinhos é o tesouro maior de Congonhas. Belo Vale preservar a mais antiga fazenda mineira e Ouro Branco guarda o trecho mais precioso da Estrada Real.
 
  Congonhas nasceu em 1734, fundada por mineradores portugueses. Um deles, Feliciano Mendes, acometido de grave moléstia, implorou a cura a Bom Jesus do Matosinhos. Com a graça alcançada, passou a dedicar sua vida a costrução de um Santuário no Morro Maranhão. Lá de encontra a imagem do Senhor Morto, motivo de grande peregrinação religiosa. Congonhas, nome que veio da planta congonha- em tupi “kô gõi”, que significa “o que alimenta”- guarda uma das maiores preciosidades do Barroco mineiro: a Basílica do Senhor do Bom Jesus do Matosinhos (1757), com 12 profetas escupidos por Alejadinho(entre1800 e 1805) em pedra sabão. O magnífico conjunto está harmoniosamente
  distribuído no adro do Santuário. Os profetas Isaías, Jeremias, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oséas, Joel, Habdias, Amós, Jonas, Habacuc e Num têm posturas solenes e teatrais. Na Basílica encontram-se ainda pinturas de Ataíde no teto da nave e relicário de Aleijadinho. Completam o conjunto as seis capelas dos passos com sete cenas da Paixão de Cristo. São 66 figuras em tamanho natural que compõem os passos da Paixão. Todas foram esculpidas em cedro rosa por Aleijadinho entre os anos de 1796 e 1799. Em 1983 Congonhas foi declarada pela Unesco Monumento Cultural da Humanidade.
 
  Dois bandeirantes, Gonçalo Álvares e Paiva Lopes, membros da bandeira Fernão Dias Paes, embrenharam-se pelo vale do Paraobeba e descobriram ouro no morro de Santana. Pouco tempo depois surgia o povoado São Gonçalo da Ponte, embrião da cidade de Belo Vale. Desta época áurea, Belo Vale herdou impressionantes monumentos, como a Matriz de São Gonçalo da Ponte, de 1764. Seus três altares dourados impressionam pela beleza de sua talha barroca.
  A igreja de Santana do Paraopeba, datada de 1735 - tida com a mais antiga de Minas - tem altares muito parecidos com os altares da Matriz do Pilar de Ouro Preto. Uma das primeiras fazendas de Minas Gerais também está em Belo Vale. Provavelmente erguida no final do século XVIII (não há registros da data correta), a Fazenda Belo Vale foi construída voltada para o nascente na Serra da Boa Morte. Sua sede é um casarão de beleza imponente. Sua arquitetura mostra muxarabiês, janelas almofadadas e muros de pedras. Uma capela com altar em talha dourada de Francisco Vieira Servas -o mais consagrado pintor Barroco do final do século XVIII - domina a varanda do casarão. Além das belas cachoeiras - como a da Boa Esperança com suas duchas e tobogãs naturais ou a da Chacrinha, ótima para canoagem e pesca -, Belo Vale tem outra grande atração: o Museu do Escravo, o único do Brasil. Construído em estilo colonial, o Museu tem um acervo de 3000 peças e réplicas de uma senzala com pátio em seixo rolado formando desenhos. Já o Forte das Casas Velhas é uma grande construção em pedra canga. Tem cerca de 1200 m2 e fica no meio da Serra do Mascate.
 
  Seguindo o percurso do ouro surge Ouro Branco. A cidade se volta para a Serra do Ouro Branco ou Serra do Deus Te Livre, que, por sua importância histórica e geográfica, foi tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico(IEPHA). De seu cume se vê todo o município, além do lago da Barragem do Soledade. Na serra localiza-se a parte mais antiga da Estrada Real, trecho do “caminho novo”, aberto nos primeiros anos do século XVIII como ligação direta às minas de ouro.
  Beleza é uma constante nos monumentos históricos de Ouro Branco. A igreja de Santo Antonio, erguida entre os anos 1717 e 1779, é uma das mais antigas de Minas. Outro belo exemplar da arquitetura do século XVII é a sede da Fazenda Carreiras ou Casa Velha de Tiradentes, construída em pedras e peças de madeira de lei e que, por isso, apresenta grossas paredes.
 
 

Localizada no coração da Zona da Mata Mineira, com mais de 300 anos, preserva ainda várias construções do período colonial como o prédio da Prefeitura em estilo neoclássico, o coreto da Praça Principal e inúmeras casas, fazendas e capelas centenárias. O Santuário de Bom Jesus de Matozinhos, onde acontece, há mais de 200 anos, no mês de agosto, o jubileu do Bacalhau guarda obras de grande valor artístico e histórico. O relevo montanhoso e cachoeiras praticamente inexploradas.

 

Matéria autorizada pela produção Ventura Comunicação. Vinculada no nº. 9 da revista Sagarana de autoria de Andréa Rocha e Cézar Félix. Revista Sagarana - www.sagarana.uai.com.br