O descobrimento de Santa Bárbara está ligado aos descobrimento de Sabará, Mariana e Ouro Preto.

Segundo André João Antonil, pseudônimo do padre italiano Giovani Antônio Andreoni, o primeiro descobridor de ouro nas Gerais, foi um mulato que já havia estado nas minas de Paranaguá e Curitiba. Este, indo ao Sertão buscar índios com alguns paulistas, chegou ao Serro do Tripuhy, desceu abaixo para tomar água. Roçando a gamela granitos da cor de aço, sem saber o que eram.

Chegando a Taubaté, alguns moradores lhe perguntaram que casta de metal era aquela. Vendeu, então, alguns granitos por meia pataca a oitava, a Miguel de Souza, sem saber o que vendia e o comprador o que comprava, até que resolveram mandar alguns granitos ao governador Arthur de Sá, que disse ser ouro finíssimo.

A partir do parecer do governador Arthur de Sá, várias expedições, empolgadas com a narrativa da existência do estranho metal, partiram em março de 1691, para os interiores dos Sertões das Gerais, em direção ao “Pico do Itacolomi” (Itacorumim; Ita = pedra - corumim = filho. Pedra com filho).

Em 1702/1703 o Sargento-Mor Salvador de Faria Alvernaz, que exercia no Carmo, a medicina, descobriu o ribeiro do Passa de Coatinga e pouco adiante o admirável Ribeirão do Inficcionado, na Serra do Caraça. O licenciado Domingos Borges, examinado as fraldas do Caraça, descobriu Catas Altas; e Antônio da Silva Bueno, irmão de Francisco Bueno, descontente com a escassez do ouro das minas de Brumado, seguiu para o nordeste onde, explorando as margens do ribeirão ali existente, deu-lhe o nome de Santa Bárbara, por haver chegado no dia 4 de dezembro de 1704 , dia de Santa Bárbara.
A riqueza das mais, descobertas por Bueno, nas margens do Ribeirão Santa Bárbara, desde os primórdios, desperta a cobiça de outros mineredores do século XVIII. Ao povoado, afluem inúmeras expedições, numa exploração de vigor e idealismo. E, de conquista, vão semeando a imperecível semente da fé.
Possivelmente, ainda em 1704, teve início a primeira edificação da Capela em devoção a Santo Antônio, patrono dos paulistas recém chegados. Á margem do ribeirão e em torno da igreja, são construídas magníficas casas. A Igreja é o orgulho dos moradores, pois ela evidencia o Cristianismo plantado ás margens do Ribeirão de Santa Bárbara.
O arraial fundado por Antônio Bueno prospera. Logo são construídas a Matriz de Santo Antônio do Ribeirão de Santa Bárbara, a Igreja das Mercês e as Capelas do Rosário e do Bonfim, ao mesmo tempo em que se tomam providências oficiais pbjetivando a integração da nova comunidade ás administrações civil e eclesiástica.
O alvará de 16 de fevereiro de 1724 confere á Freguesia de Santa Bárbara caráter de colativa, tendo dido seu primeiro vigário, colado, o Padre Manoel de Souza Tavares, de 1724 a 1750. O vigário, colado, era irremovível, enquanto o vigário, encolmendado, podia ser transferido para qualquer paróquia.
Santa Bárbara pertenceu a Mariana desde 1711, quando esta foi elevada a Vila e Castas Altas do Mato Dentro era seu Distrito.  
Contudo, aos poucos, beneficiada pela localização no meio dos caminhos que demandavam ao nordeste da Província, Santa Bárbara vai se transformando num empório abastecedor da região. Em pouco tempo adquire importância suficiente para se transformar em Vila, pela Lei Provincial 134 de 16 de março de 1839, desligando-se de Mariana, ocorrendo as instalações do aparato administrativo em 28 de janeiro de 1840. A Vila vai ganhando importância, enquanto as suas atividades econômicas florescem.
Em 1861, os ingleses organizam a Santa Bárbara Mining Company com o objetivo de reativar a miniração de ouro no município. Para tanto, eles compram a fazenda chamada Mina de Ouro de Pari ou Veio de Pari, no então Distrito de Rio São Francisco, hoje Florália, a dezesseis quilômetros da sede municipal.
A Vila de Santa Bárbara é elevada á categoria de cidade no dia 6 de junho de 1858, pela Lei Provincial 881. Nos anos finais do século XIX, Santa Bárbara consolida a sua importância como município da Província de Minas Gerais. Em 1878, é feita sede de Comarca, pela Lei 2500 de 12 de novembro daquele ano.
  A 30 de novembro de 1847 nascera um dos seus mais ilustres filhos, Afonso Augusto Moreira Pena, sendo batizado na Matriz de Santo Antônio no dia 24 de janeiro de 1848. Após uma vida pública brilhante, é eleito, a 1º de março de 1906, a Presidente da República, para o quatriênio de 1906 a 1910. Seu falecimento, ocorrido a menos de um ano do término do mandato, interrompeu um operoso Governo. Sempre devotado á causa da instrução, demonstrou grande preocupação com o ensino profissional e o técnico, necessários ao progresso da lavoura, do comércio, da indústria e das artes.

A estação de Passageiros da Estrada de Ferro Central do Brasil foi inaugurada em Santa Bárbara no dia 1º de agosto de 1911 e começava a mudar a maneira pela qual parte da população organizava sua sobrevivência. Com o trem chegou também o telégrafo. Três firmas atacadistas se juntam aos varejistas já existentes, incrementando o comércio local. O movimento de tropas na antiga Praça do Comércio era permanente, com o desfilar de quinhentos a seiscentos muares, diariamente, saindo e entrando para os ranchos dessas três firmas.
Um artístico chafariz de ferro, importado, ao centro da praça, fornecia água aos tropeiros que cozinhavam nos ranchos, impregnando a praça com o odor de torresmo. Á noite, eles cantavam ao som da sanfona e da viola e batucavam sobre os couros que serviam para proteger as cargas.

Em 1919, foi inaugurado o Grupo Escolar Afonso Pena, na ladeira do Rosário.
Em 1921 iniciou-se a ligação telefônica com os distritos. Neste mesmo ano, foi iniciado o serviço de distribuição de água pelas trezentas e oitenta e oito casas, com tubos Mannesmann importados da Alemanha, e a construção da caixa d’água no Campo das Cavalhadas.
  Daí até 1950 quase nada mudara na cidade. Somente nos anos 60, é que o universo restrito da vida econômica de Santa Bárbara começou sofrer alterações. Os serviços urbanos começaram a crescer e a se modenizar. A expansão de grandes projetos siderúrgicos, em municípios próximos, que ativa a exploração do minério de ferro e a produção de maior quantidade de carvão vegetal, impulsionaram a silvicultura local.

Hoje, Santa Bárbara, que é composta por 5 distritos - o Distrito Sede, Conceição do Rio Acima, Folrália, Brumal e Brra Feliz - é uma cidade com uma moderna estrutura administrativa e dotada de quase todos os requisitos para atender ás necessidades de sua população.

 

Fonte: Cartilha do Cidadão - Santa Bárbara - Câmara Municipal de Santa Bárbara
Fotos: Marcos Leg / (031) 3832-1977 - 9911-9813