O Santuário do Caraça é um destes raros locais de encantamento, encravado em um oásis de Mata Atlântica ainda não derrubado pelo progresso. Memória viva de uma parte pouco conhecida da nossa história, o Santuário do Caraça, hoje transformado em pousada, oferece aconchego e divertimento para os mais diversos tipos turistas. Fundado em 1774, pelo Irmão Lourenço, o Santuário do Caraça foi doado por Dom João VI aos Missionários da Congregação da Missão (missionários lazaristas). Ali, foram construídos o primeiro seminário e a primeira igreja neogótica do Brasil. Mais de 10 .000 alunos, muitos com destacada atuação na sociedade e na Igreja, tiveram seu aprendizado no colégio interno que funcionou no Caraça até 1968, quando um trágico incêndio mudou os rumos do lugar. Desde então, os padres do Caraça vêm - se dedicando a preservar a belíssima natureza ao redor do Santuário e a compartilhar com os turistas o aconchego de um ambiente abençoado por Deus. Em 1994, o Caraça passou a ser Reserva Particular de Patrimônio Natural, pelo decreto federal 98. 914, o que contribuiu mais ainda para consolidar sua vocação de Santuário Religioso e Ecológico.

No início so século XVIII, o perfil da cara grande de um gigante adormecido encantou os bandeirantes que por ali passavam e deu origem ao nome “Caraça”. Trata -se apenas de uma das inúmeras surpresas que a natureza caprichosamente esculpiu entre as Serras que se sucedem, indo de 700 a 2000 mil metros de altura, no horizonte privilegiado do Caraça. Há séculos, estudiosos chegam de diversas partes do mundo para apreciar e catalogar a diversidade de plantas e animais em torno do Santuário. Só de orquídeas, já foram identificadas, até agora, mais de 200 espécies. Sem falar nas cavernas, cachoeiras, lagos e animais típicos da região. Entre eles, as grandes estrelas são, sem dúvida, os lobos-guará, que todas as noites vêm comer na mão dos Padres no adro da Igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens.

Foi o imperador Pedro II que disse "que só o Caraça vale uma viagem a Minas". E o imperador tinha razão. Aquele monte, cuja figura lembra um rosto humano, é, de fato, alguma coisa diferente.

Também, qual o lugar de Minas que possui catacumbas que fazem o visitante se lembrar, na hora, do que aprendeu na História Antiga, relacionado a Roma e aos primeiros cristãos.

É assim, a cada passo, o Caraça revela um pouco mais de si mas, como símbolo de Minas que é, parecendo sempre estar escondendo alguma coisa. E é por isso que uma visita até lá não deve ficar limitada a um só dia. Até que em algumas horas dá para visitar os ribeirões, tirar fotos das montanhas, almoçar no restaurante que já foi refeitório de colégio e seminário, e até dar uma chegada á Cascatinha e á Cascatona, mas fica faltando muita coisa.
De imediato é preciso saber que o Caraça começou a ser mais conhecido através de uma história em que a realidade se mistura com a lenda. Que houve um Irmão Lourenço, a História não discute. Mas quem seria ele? A lenda diz que seria um dos integrantes da importante família Távora, de Portugal , de nome Carlos Mendonça que, perseguido pelo todo poderoso Marquês de Pombal, fugiu para o Brasil, parando, finalmente, por volta de 1770, nas fraldas da montanha e ali começando a edificar uma pequena capela, logo depois transformada em santuário, em que peregrinos e missionários se hospedavam.
Dentro em pouco, o santuário estava famoso, envolto pela lenda, pela realidade e pelo mistério que sempre nele existiu.

Em 1819, morreu o irmão Lourenço e muita gente pensou que o santuário iria desaparecer com ele. Foi então que Dom João VI que, apesar da fama de bobo não tinha nada, resolveu doar o patrimônio que a Coroa recebeu do misterioso irmão, aos padres lazaristas franceses que, logo em 1821, ali estabeleceram um colégio que funcionou, sem problemas, até 1842.

Nesta época, o país foi sacudido por uma série de movimento político-militares, um deles a Revolução Liberal em Minas Gerais. Isso e suas conseqüências econômico-financeiras, levaram ao fechamento do colégio por 12 anos.
Ao ser reaberto, em 1854, o colégio transformou-se em seminário da Arquidiocese de Mariana mas, pouco depois, foi devolvido aos padres lazaristas, vivendo, então, um momento importante de sua existência.

Por ali, décadas e mais décadas, passaram alguns dos nomes mais importantes da história mineira, de tal maneira que se podia dizer que o Caraça saiam os governantes de Minas e do próprio país.

A fama do Caraça corria mundo e o imperador Pedro II que esteve em Minas, em 1881, não fez por menos. Foi visitá-lo, admirando-se da sua beleza e de tudo o que viu. Diz a lenda que, como sempre fazia, o governador fez questão de ir aos sanitários porque, segundo acreditava, “mictório limpo é sinal de educação. Os do Caraça, dentro da tradição lazarista estavam mais do que limpo.
  Entrar no Caraça é começar a ver coisas diferentes a cada passo. A igreja em estilo gótico chama a atenção pois foi uma das primeiras deste gênero no Brasil. De autoria do padre José Clavelin, o projeto buscava mostrar o espírito humano procurando Deus através dos arcos subindo pela abóbada da igreja, se espraiando através de 12 colunatas.

A igreja, por si só, deve ser bem visitada. O altar-mor, doado pelo imperador Pedro II, tendo ao seu fundo alguns dos vitrais franceses que, simetricamente colocados, filtram para dentro do templo luzes de várias cores, que criam um ambiente de admirar.

Debaixo do altar, uma das "riquezas" do Caraça : o corpo do mártir São Pio, trazido da Itália, em 1792, dentro de uma urna de cristal, a mesma em que se encontra até hoje.

Outra "riqueza" da igreja é o órgão de tubos, o primeiro construído em Minas, com material da própria Serra do Caraça, pelo padre Luiz Boavida. Seu som causa encantamento.

A tela da Santa Ceia, de Manuel da Costa Athayde, é considerada a obra-prima de um dos mestres do barroco mineiro e, como tudo no Caraça, envolta também num manto lendário. Dizem que o pintor teria vestido Tiradentes com a roupagem de Cristo no quadro.
Tudo é visto enquanto as luzes coloridas vão desenhando através dos vitrais e isto acontece até mesmo quando se chega perto do oratório em que está a imagem de Nossa Senhora Mãe dos Homens, cuja origem seria o século 16, mais propriamente o ano de 1565, isto é, bem antes da povoação das Minas Gerais. 
No entanto, é curioso observar a sua semelhança com as imagens surgidas no século 18. Ela é uma imagem linda, com o Cristo na mão esquerda carregando um pequeno mundo e abrindo a mão direita num sinal de carinho e ternura.

Fora da igreja, as descobertas, passo a passo, se sucedem. As catacumbas são um ponto inevitável de visita. Ali, na parede, estão sepultados e irmãos lazaristas e outras pessoas. Até pouco tempo só existiam os túmulos. Em tempos mais recentes foi colocado ao fundo uma espécie de altar, com uma cruz iluminada indiretamente junto á parede. Dá um ar espiritualidade como pouca gente poderia encontrar em outro. Dá mesmo uma vontade de rezar ou ficar, ali, meditando e lembrando a velha frase latina: “memento, homo, quia pulvis estis et in pulverem reverteris”.

Num dos pátios dos jardins, um relógio de sol chama a atenção, principalmente dos mais jovens, que não acreditam que ele seja “cronométrico”em sua marcação do tempo. E é.

Á medida que se percorre tudo, no fundo do velho prédio, um cruzeiro . Bem diferente daqueles tão comuns no interior de Minas em que figuram apenas o madeiro e os símbolos do Paixão. Este traz o Cristo preso e, num pequeno montículo de pedras simbolizando o Calvário, a figura da Virgem Maria a olhar para o filho que está morrendo.
Outro local de reflexão.

Já a Casa das Sampaias apresenta outra conotação. Sampaias eram as mulheres que trabalhavam no seminários-colégio. É uma casa em separada, num estilo arquitêtonico que lembra as velhas fazendas da região. Não há como não pensar nisso e de como era tudo aquilo nos tempos antigos.
A biblioteca do Caraça é um caso à parte. Um verdadeiro santuário de obras seculares, algumas delas únicas no país. Caso, por exemplo, de uma História Natural, do romano Plínio, editada em 1489, da qual existiam dois volumes. Um teria sido levado pelo imperador Pedro II para a Biblioteca Nacional.

Os livros raros são o fato comum. Centenas de manuscritos, códices antigos, vários incunábulos, histórias e vidas de santos de todos os tempos, edições como uma de Ilíada, de Homero, com versões em vários idiomas, do início do século 19.

Por uma trilha, saindo por de trás da igreja, pode-se subir até a Capelinha, um lugar muito procurado por aqueles que querem meditar. Um pouco á esquerda ficam as chamadas Grutas do Padre Trombert, um sacerdote que, dizem alcançar graças miraculosas de Deus e considerado um grande parapsicólogo. As grutas são, segundo se conta, os lugares em que ele fazia suas meditações, bem como suas pesquisas.


Á direita da trilha está a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, exatamente no começo da trilha que leva até o pico da Carapuça, de onde se tem uma vista de total admiração. É dura a caminhada, mas compensa.

Se queres conhecer bem este recanto, suba e vá respirando o ar puro e saudável. Conserve a limpeza da estrada e admire a beleza da paisagem que se vai abrindo em cada curva. Ao topo da serra, chega-se a dois quiosques onde terá a visão do edifício. Se dispuser de tempo, pare. Aí você poderá ficar deslumbrado pela audácia do fundador: Irmão Lourenço que, em 1770, levantou seu mosteiro. Prossiga e penetre neste umbrais bicentenários, com sã curiosidade. É um livro de pedras a contar histórias de santidade e cultura. Entre sem barulho. Respire o santo silêncio. Observe a edificação. Contemple meio atônito, a magnificência da igreja neogótica, estrutura toda feita a mão. A direita e a esquerda, estão dois altares da época do Irmão Lourenço, decorados por Mestre Athayde.

A imagem da Padroeira, acolhedora, como carinhosa Mãe, lhe abre os braços. Repare nos belos vitrais, cenas belíssimas da Sagrada Família. Beba a lição do Amor e do respeito no aconchego do lar. Achegue-se ao altar. Reze.Observe a relíquia de São Pio. Testemunha de Fé e coragem pelo amor a Cristo. Depois admire a beleza da Ceia de Atayde. As imagens dos Santos. Levante os olhos para enxergar outra tela. A do mártir são João de Perboyre. Sob a porta principal o órgão, aqui construído. Finalmente no adro, pode-se ter uma visão magnífica do jardim, das matas fronteiriças e do Pico da Trindade. Eis, prezado peregrino, um roteiro suave e fácil para o seu primoroso aproveitamento nesta visita curta ao Célebre colégio e Santuário do Caraça. Seja Bem vindo!

Pe.Célio Maria Dell' Amore Diretor do Caraça
Fonte: Lobocorreio - Orgão Informativo

A introdução do culto à Nossa Senhora Mãe dos Homens surgiu no Convento de São Francisco das Chagas no Xabregas, em Lisboa, coube ao Frei João de Nossa Senhora pregando à todos tal devoção. Frei João idealizou uma imagem em torno da qual os fiéis pudessem se reunir e que servisse como uma efígie da Virgem, de seis palmos de altura, dando bênçãos com a mão direita e tendo no braço esquerdo o menino Jesus. Esta imagem foi esculpida em madeira pelo escultor José de Almeida, conhecido como Romano. Proveniente de Xabregas, a devoção à Nossa Senhora Mãe dos Homens veio para Minas trazida pelo irmão Lourenço, que foi o responsável pela fundação do   santuário Nossa Senhora Mãe dos Homens, localizada no Caraça. Nossa Senhora é representada de pé, vestindo túnica e manto curto que lhe envolve o corpo, tendo sobre a cabeça um véu igualmente curto que cai sobre os ombros. Em seu braço esquerdo traz o menino Jesus, que segura com a mão direita uma cruz e com o braço esquerdo, abençoa os devotos. Tanto a virgem como o menino trazem na cabeça uma coroa real (Iconografia da Virgem Maria - IEPHAM).
...Inicialmente fundado como um Santúario Religioso, o Caraça atualmente considerado uma importante reserva ecológica, busca hoje valorizar o homem, como criação do Senhor e seus diferentes aspectos. Sobre esta visão vamos refletir com a história. O lendário Irmão Lourenço, fundador do Caraça, pertencia o Ordem Terceira Franciscana provurou refúgio no meio da natureza nas altas montanhas das Minas Gerais. Encontrou nestas paragens muitos animamais e certamente entre eles o “Lobo Guará”. Como devoto de São Francisco de Assis, o nosso irmão Lourenço certamente louvou a Deus pelo "Irmão Sol, Irmã Lua, Irmã Água, é disse ao guará: irmão lobo tu és meu irmão. O Irmão Lourenço de Nossa Senhora deve estar muito feliz vendo o padre Tobias, depois o Pe. Célio, Pe. Lauro e Pe. Getúlio e outros mais trazendo o irmão Lobo todas as noites até a porta de sua igreja.
A vinda do lobo guará até as escadarias de nossa igreja para comer nas mãos dos padres é um símbolo do amor e dedicação da Direção do Caraça para a preservação da natureza dentro de um, contexto mais maplo, nestas terras do irmão Lourenço de Nossa Senhora.

Desejamos cooperar para que nosso planeta continue sua missão, recebida do CRIADOR, de berço da VIDA. Convocamos todos que aqui trabalham ou que visitam essa Reserva Particular do Patrimônio Natural para abraçar a causa ecológica.

Pe.Sebastião Carvalho Chaves,C.M
Diretor Administrativo do Caraça
Fonte: Lobocorreio - Orgão Informativo

Fotos - Marcos Leg: (031) 3832-1977  -   9911-9813
 

Nessa época de recolhimento, renovação, comunhão e reflexão que a Semana Santa nos inspira, o melhor é procurar um lugar que serve de cenário para melhor aproveitar e descansar. E não há lugar melhor que o Santuário do Caraça, a 120 km de Belo Horizonte. É um refúgio da vida atribulada. Lá você tem o ambiente ideal para apreciar a natureza, ouvir o silêncio, meditar ao som dos pássaros e observar a vida natural das coisas vivas e mortas: nessa comtemplação, a vida certamente nos dá força para não temer a relação da vida e da morte, como lembra a quaresma, em especial neste momento. Ali, você pode tomar consciência concreta dessa passagem. Dizem que quem vive plenamente encara a morte sem dor, sem perder, apenas torna-se uma evolução, uma mudança... também vive mais, ou seja, não vegeta... aprender a viver é encarar a transição da morte com menor dor. E viver prazeirozamente é usufruir de tudo aquilo que a vida nos oferece de melhor, é viver sem dor.
Veja o que o Caraça pode lhe oferecer neste delicado momento de guerra:

Visitas as catacumbas no subsolo da igreja, onde estão plantados os corpos dos religiosos que por ali passaram; no altar da igreja está o corpo de São Pio - o soldado romano, morto, que se converteu ao cristianismo após várias provações. Seu corpo lembra as múmias dos faraós, no Egito. Ele veio em 1792 da Itália, em uma urna de cristal.
Na programação da Semana Santa o roteiro está recheado de religiosidade e cultura, veja: procissões, missas, via-sacra, lavapés, ofícios, encenação da paixão de Cristo, feira dos artesãos de Barão de Cocais, apresentação de músicas com o organista Lucas Raposo, comidas experimentais da Pousada das Cores da Vila de Cocais e exposição de fotos do padre Lauro Palú, celebrando o cinquentenário de sua chegada ao Caraça.
Depois de mais de três anos de intenso trabalho as badaladas do relógio da torre da primeira igreja neo-gótica do Brasil (1883) volta a dar sinais de vida, em experimentação. Desativado a quase três décadas, o relógio foi recuperado pelo técnico Alemma Alves Salgado, de Uberlândia. O relógio está na torre a cerca de 105 anos e há 28 anos foi desativado. Ainda encontra-se em fase de ajustamento, devido à complexidade de sua engenharia. Os quarto de  horas são marcados e a cada hora, o relógio bate. A cada quatro quartos de hora o relógio repica, fazendo assim, o movimento dos dois sinos de toques diferenciados, num total de 888 pancadas a cada 24 horas. Esse relógio, de enorme importância para a história do Caraça, foi adquirido pelo padre Jules Chavelim, o mesmo que construiu a igreja, aplicando formas neo-góticas no mesmo local do templo inicial, feito pelo fundador do Mosteiro do Caraça - Frei Lourenço, em 1774. Os badalos do relógio, podem ser ouvidos à quilômetros de distância, e foi testemunho de seminaristas que se tornaram importantes na vida religiosa, política e cultural do país. Hoje ele volta a funcionar, para a alegria dos padres lazaristas e de seus visitantes.