"Sobressaindo a tudo que lhe rodeia, a Serra da Piedade, no município de Caeté desponta, na linha do horizonte, como um belo e majestoso testemunho da evolução da crosta terrestre, ocorrida ao longo de centenas de bilhões de anos. Os picos constituídos de Itabirito, com altitudes médias de 1700m, serviam de referência para os bandeirantes paulistas, e era chamada, pelos índios, de Serra Resplandecente, na qual acreditavam existir grandes quantidades de ouro, prata e pedras preciosas. Esta, às vezes se torna de fato, resplandecente por causa do brilho das rochas ferruginosas conforme a incidência dos raios solares.
Para os nativos este brilho era causado pelas pedras e metais preciosos, e os bandeirantes pensavam estar ali as tão almejadas esmeraldas, sonho irrealizado de Fernão Dias."A Serra da Piedade encontra-se situada no vértice nordeste do QuadriláteroFerrífero, e é uma continuidade geológica e geomorfológica da Serra do Curral, emoldurando a cidade de Belo Horizonte. Em toda a área do chamado Quadrilátero Ferrífero encontramos depósitos de laterita, canga, alúvios, colúvios e elúvios. A Serra da Piedade pode ser percebida como um microssomo, uma verdadeira síntese da região central de Minas Gerais, pois nela se encontram, lado a lado e em interação, as montanhas, os vales, as encostas e afloramentos e, neste variado relevo, um verdadeiro santuário botânico, com as formações de mata, savana, (cerrado) e os campos rupestres.
 
A Serra da Piedade ergue-se imponente em nosso território, a uma altitude de 1.746m. É conhecida desde 1.760 e as grandes romarias ao Santuário datam de 1.814. É o melhor exemplo de atrativo natural do município, com fortes aspectos religiosos, pois ali encontra-se o Santuário da Padroeira de Minas Gerais, que faz parte da fé e da história regional.
Em primeiro plano, estão as torres da igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso, no centro de Caeté.  Ao fundo nota-se a majestosa Serra da Piedade.
No ponto mais elevado da Serra Piedade, tendo como base uma enorme massa de pedra, está plantada o Templo dedicado à Nossa Senhora da Piedade (1760). Mostrando-se do alto de seu vértice, o coroamento, a distância, aos olhares cristãos. É um dos santuários secularmente mais freqüentados e venerados pela robusta fé dos católicos mineiros.  Como dizia um religioso da época: "Os fundamentos materiais recordam as bases sólidas do culto de Maria nos corações mineiros, a quem aquela serra parece inculcar que mais inexpugnável do que suas rochas é a proteção da Virgem Mãe de Deus (Jesus); o imenso horizonte que d'ali se rasga formoso aos olhos do cristão lhe ensina a confiança de que + amplo é o regaço misericordioso da virgem; o viso em que pousa o santuário metendo-se pelas nuvens a dentro parece levar ao trono excelso da Rainha Imaculada as suplicas da alma fiel, que peregrina sobre a terra continua a redizir a mensagem, com que o celeste 'Paranympho' saudoso em nome de Deus a humilde virgem de Nazareth". Erguido de modo robusto, o templo, a Piedade de Maria é como um monumento público, perene e eloqüente, da crença prática dos que habitam as tantas Minas Gerais... é o culto de forma especial, ou por ainda melhor dizer, é o louvor da hiperdulia que a nossa Mãe Maria merece. Também, lembrando as referências de outro religioso: "É a concretização de um protesto calmo e firme contra a irrupção protestante, empenhada em vandalizar a devoção à Mãe de Jesus..." (referência ao protestantismo de Lutero, que passava a negar o culto à Virgem Maria e aos santos).
Há várias histórias contadas pela tradição sobre a edificação do santuário à Nossa Senhora da Piedade. A mais erudita é a da perseguição que o 'desumano rancoroso' Marquês de Pombal, arteiramente cometeu contra a heróica Companhia de Jesus e as famílias nobres de Portugal, dentre os quais estavam os edificadores dos templos da Piedade e do Caraça: Lourenço e Bracarena.Ambos, por ventura teriam feito votos de construirem um templo em louvor à Nossa Senhora. Seria um modo de acalmar suas ânsias, apaziguar os furores de perseguição real ou amenizar seus medos? Nessa busca os dois expatriados portugueses vieram parar na freguesia de Caeté (alguns relatos advertem que eles teriam vindo fazer a América, em busca de ouro). 
Provavelmente pelo fato de aqui correr uma lenda sobre a aparição da Mãe de Jesus a uma menina muda, dando-lhe o direito de falar. Então, ali, resolveram construir a morada de "suas" Nossa Senhora. Entretanto, na ora de eleger o local da construção, surgiram as divergências: Lourenço, ou então irmão Lourenço pertencia à Ordem 3º Franciscana de Diamantina. Achava ele que o ponto ideal para a construção da capela seria a região mais baixa da serra - conhecida como Cavalhada, onde eram realizados teatros de campo entre as lutas dos mouros e cristãos. Em contrapartida , Bracarena defendia a idéia da construção no topo, bem no píncaro da Serra, onde se encontra a igreja hoje. É por devoção ou não? onde a Nossa Senhora da Piedade foi vista pela menina muda. Bracarena venceu, mandou vir da cidade do Porto, em Portugal, a imagem de Nossa Senhora da Piedade, a qual até hoje venera-se no altar-mor da igreja (há estudos mais peculiares de que esta imagem é atribuída ao Aleijadinho). Quem sabe, entre as discórdias, o irmão Lourenço deve ter avistado a serra do Caraça e para lá partiu. Encantado com a beleza da bacia protegida pelas majestosas serranias pode pagar sua promessa, se é verdade ou não? Construiu a capela em louvor à Mãe dos Homens (1774), mais tarde transformando-se na primeira igreja neo-gótica do Brasil, plantada nos pés das montanhas altas. Parece-nos o medo das alturas ter atormentado o frei Lourenço. No decorrer dos tempos, passou a ser mosteiro, seminário, hospedaria e, atualmente está sobre o comando da Congregação de São Vicente de Paulo (veja roteiro do Caraça). Enfim: As dádivas surgiram para nos deleitar no nosso turismo, religião e história. Que surjam muitos e muitos Bracarenas e Lourenços!

A devoção à Nossa Senhora da Piedade parece ter chegado à Capitânia de Minas através dos bandeirantes, uma das deduções é lembrada por ser ela a padroeira da cidade de Guaratinguetá, em São Paulo, passagem obrigatória de quem vinha buscar pedras preciosas em Minas. Passando pelo "caminho velho" da Estrada Real, ligava Diamantina à Ouro Preto até Parati. Mas, nos parece ser com o "caminho novo", ligando a antiga Vila Rica ao Rio de Janeiro, que a "Virgem" ganhou sua primeira capela de taipa - em Borda do Campo, no início de 1700, onde é hoje o município de Barbacena. As terras pertenciam ao capitão Garcia Rodrigues Paes Lemos - filho do bandeirante Fernão Dias. Ali, foi criada a Freguesia de Nossa Senhora da Piedade, passando depois ao inconfidente José Ayres Gomes, que mais tarde perdeu sua posse devido à devassa da inconfidência.
Com a devoção à virgem crescendo, a capela ficou pequena. Criou-se a Paróquia de Nossa Senhora da Piedade, com sede nas proximidades de Campolide.
Com os devotos continuando a aumentar, surge um novo templo - a construção da matriz, onde é hoje o Santuário de Nossa Senhora da Piedade, no centro de Barbacena, sagrada em 1748.

 

 

Desde então, o culto à santa se expandiu pela capitania. Até que chegou à Serra da Piedade por um devoto ilustre desconhecido. Encontrei histórias diferentes e livros demonstrando controvérsias, sobre a construção do Santuário de Nossa Senhora da Piedade, na Serra. A mais erudita é a da perseguição que o 'desumano rancoroso' Marquês de Pombal, arteiramente cometeu contra a heróica Companhia de Jesus e as famílias nobres de Portugal, dentre os quais estavam os edificadores dos templos da Piedade e do Caraça: Lourenço e Bracarena. Ambos, por ventura teriam feito votos de construírem um templo em louvor à Nossa Senhora. Seria um modo de acalmar suas ânsias, apaziguar os furores da perseguição real ou amenizar seus medos?

Nessa busca os dois expatriados portugueses vieram parar na freguesia de Caeté (alguns relatos advertem que eles teriam vindo fazer a América, em busca de ouro). Provavelmente fortalecida pelo fato de lá correr uma lenda sobre a aparição da Mãe de Jesus a uma menina muda, dando-lhe o direito de falar. Então, ali, resolveram construir a morada de Nossa Senhora. Entretanto, na ora de eleger o local da construção, surgiram as divergências: Lourenço, ou então irmão Lourenço pertencia à Ordem 3º Franciscana de Diamantina, achava que o ponto ideal para a construção da capela seria a região mais baixa da serra - conhecida como Cavalhada. Em contrapartida , Bracarena defendia a idéia da construção no topo, bem no píncaro da Serra, onde se encontra a igreja hoje. É por devoção ou não? onde a Nossa Senhora da Piedade foi vista pela menina muda. Bracarena venceu, mandou vir da cidade do Porto, em Portugal, a imagem de Nossa Senhora da Piedade, a qual até hoje venera-se no altar-mor da igreja. Esta informação obtive em livro, escrito por um padre, algum tempo depois, mas há estudos peculiares de que esta imagem é atribuída ao Aleijadinho.

Através de pesquisas tenho a impressão de que a imagem vinda de Portugal é a que se encontra na matriz de Barbacena e não a Serra da Piedade, devido às fortes características que eram peculiares nas obras do Aleijadinho. Controvérsias à parte, por enquanto, aqui não importa, vamos falar de como a Virgem de Pietá, a única obra assinada de Miguel Angel, aos 25 anos, foi escolhida a Padroeira de Minas.

A devoção dos mineiros à virgem Maria é tão antiga e fervorosa quanto as origens do desbravamento e Minas, e dos trabalhos de pesquisa de ouro e minérios, que deram o nome aos próprios habitantes do Estado. Nesse sentido o papa João XXIII, atendendo ao pedido do Episcopado Mineiro (que votou quase unanimemente em favor dela) e do então governador Bias Forte, designou-se, pelas letras apostólicas, à 45 anos, em 20 de novembro de 1958, a invocação de Nossa Senhora da Piedade como padroeira do Estado de Minas Gerais. Na ocasião, como ponto de partida, em 14 de maio de 1958, a imagem da Piedade da Serra veio a Belo Horizonte, ficando na matriz da Boa Viagem por alguns dias, quando em 31 deste mesmo mês foi aclamada por uma imensa multidão de fiéis na praça da liberdade.  Entre as autoridades presentes estavam o Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta - arcebispo de São Paulo, os arcebispos e bispos de Minas, todo o clero da capital, seminaristas, religiosos e outras organizações católicas de arquidioceses. Foi realizada ainda uma missa festiva pelo arcebispo Dom João Rezende Costa. Em seguida realizou a solene consagração de todo o Estado de Minas a Nossa Senhora da Piedade, na presença de autoridades civis e militares -  presente também o governador Bias Forte. Num discurso emocionado, o Cardeal Motta falou de sua intenção quando foi convidado, bem antes, de fazer uma homenagem à Tiradentes em 21 de Abril. Disse ele: "Que a padroeira de Minas, Nossa Senhora da Piedade, lá do alto da famosa Sabarabuçu dos Bandeirantes, conserve Minas sob seu manto maternal."

 
 
A igrejinha da Serra, anexa a um rústico ermitério, Barca de Noé,construída na freguesia de Caeté, na Serra chamada primeiramente de Sabarabuçu pelos indígenas, onde foi sepultado o seu realizador Bracarena, em 1784. Nos tempos dos Bandeirantes era a famigerada Sabarabuçu, onde sonhava encontrar jazidas de prata semelhantes às do Peru. O nome primitivo era Itaberaba-assu, cujo significado era montanha. resplandecente e alta, e que os portugueses, no seu linguajar atropelado foram reduzindo para Sabarabuçu e, depois, para Sabará:  o nome do município de onde saiu Belo Horizonte. A serra, que havia sido descoberta desde o primeiro século de descoberta do Brasil, era ponto de referencia para romeiros de viagens e das Minas cobiçadas.
Assim conta o evangelho: a Virgem Santíssima galgou a montanha de Judá em visita à sua prima Isabel, mãe de João Batista, lá permanecendo 3 meses...  Há hipóteses de que a Serra da Piedade tenha sido inspirada na passagem da Montanha de Judá.
A mais antiga imagem da Piedade, em Portugal, assemelha-se à brasileira. Pertencia a uma irmandade franciscana - casa da misericórdia, fundada pelo Frei Miguel de Contreiros, que achou a imagem como emblema da ordem. Seus objetivos eram enterrar os mortos, visitar e confortar os encarcerados. Em Minas, a primeira casa da misericórdia foi fundada em 1736 na então Vila Rica.
A imagem reproduz a dor de Maria ao pé da Cruz, o discernimento do corpo de Cristo, amparado no seu colo. "E Deus estabeleceu na cruz a salvação de gênero humano; de tal sorte que donde tinha nascido a morte, daí mesmo ressurgisse a vida; e que o divino cordeiro, que tirou os pecados do mundo, morrendo destruísse a nossa morte e, ressucitando, restaurasse a nossa vida." Piedade ou Pietá, como é conhecida no Vaticano, é a síntese dos grandes mistérios da encarnação, da paixão, da morte e da ressureição de Crsito, é bem a síntese de vida espiritual cristã.
A Serra da Piedade será transformada no próximo dia 4 de maio, em "monumento natural" de Minas, sendo o primeiro neste sentido, à pedido da arquidiocese de Belo Horizonte.